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História do Rabisco

Certo dia o bonde das cavernas foi buscar um rango veggie depois de acabar toda a carne disponível da ocupação. Era a primeira vez que saíam além do conhecido. A mana mais estrategista do rolezinho ficou na espreita pra fazer a gestão de risco do bagulho, caso aparecesse algum possível cenário de vacilação pra cagar o rolé.


No retorno geral tava querendo saber o que a tropa tinha visto. Como tava muito difícil de explicar conceitos sobre coisas nunca experienciadas e a galera só sabia se comunicar por gíria, ruídos ou meme, toda aquela novidade começou a ser rabiscada ali na parede mermo.


O barato foi tão chocante que esse lance de riscar as superfícies não parou mais. Geral desenhava a vida da galera, plantas, objetos, bichos, danças, romances, bailes, sarrações, as tretas com o grupo mais a extrema direita da caverna, e por aí vai.


A onda pegou tanto que mais pra frente uns egípcios brisaram em pintar a vivência deles, uns persona misturado com bicho, ritos, pesquisaram uns minerais pra fazer pigmento, lançaram umas ideia de filosofia avançada nos muros e inventaram uma tal de universidade. Depois uns gregos copiaram bastante coisa, fizeram um corre deles trabalhando num conceito chamado Academia. Era uma vibe machistona e egocêntrica, mina não participava, tipo uns brancão esquerdomacho, mas tão aí até hoje sendo lembrado.


A galera da China, sempre avançada no corre, largou um produtin que depois viralizou como "papel". Também lançaram um marcador pretão chamado Nanquim, tipo Kit Completo. A onda da galera da parede nunca miou, até dentro de igreja os cara foram contratado pra fazer teto.



Hoje continuamos essa parada aí de se expressar por desenho, riscar parede, escrever nome, contestar, colar papel e falar sobre as mesmas coisas faladas há milhares de anos, mas com a evolução (e involução) humana ao longo do que entendemos por tempo linear: sociedade, amor, diversão, natureza, tragédias, divindades, ancestralidade etc.


Poucos valorizados em vida, muitos desvalorizados, excluídos ou irrelevantes. Trabalhadores, mas pra muitos desocupados. Passado ou presente, vagabundos de hoje, artistas do amanhã. E eu sou mais um do bonde. Um continue. Sigamos.

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